Pacientes usam inteligência artificial junto da terapia tradicional

Pacientes estão utilizando inteligência artificial (IA) como complemento à terapia tradicional, aponta pesquisa da Associação Americana de Psicologia (APA). O estudo, que ouviu mais de 1.200 psicólogos licenciados nos Estados Unidos, mostra que pelo menos um terço dos profissionais observou que seus pacientes recorrem à IA para apoio emocional e aconselhamento em saúde mental.

O uso crescente da tecnologia no campo da psicologia ocorre em meio a um contexto de expansão dos chatbots e assistentes virtuais, que têm sido explorados como ferramentas auxiliares a outras práticas clínicas. Desde 2019, organizações de saúde mental vêm investigando o impacto dessas novas formas de interação digital para entender as possibilidades e limitações em um ambiente regulado.

Dados da pesquisa

Segundo o levantamento da APA, 77% dos psicólogos identificaram que seus pacientes buscaram IA para suporte emocional ou conselhos de saúde mental. A pesquisa indica que muitos jovens e adolescentes podem estar utilizando a tecnologia como opção acessível diante das dificuldades para atendimento presencial.

Quase quatro em cada dez pacientes (39%) mencionaram usar IA para autodiagnóstico, embora os chatbots não sejam indicados para essa finalidade. Além disso, 33% dos profissionais notaram que seus pacientes usaram a tecnologia como ferramenta auxiliar da terapia, enquanto 34% observaram seu uso para aprimorar autocontrole ou lembretes comportamentais.

Outros usos relatados incluem conversas com chatbots para diversão (33%), amizade (22%) e até para relacionamentos íntimos (13%). Cerca de 36% dos psicólogos identificaram um certo grau de dependência dos pacientes em relação às ferramentas de IA, mesmo que o uso prejudicial não tenha sido amplamente registrado.

Limitações e orientações da APA

A APA ressalta que a inteligência artificial não substitui um profissional de saúde mental qualificado. Em um guia para o uso seguro da tecnologia, a associação destaca algumas limitações da IA:

  • A IA tende a reforçar a perspectiva do usuário, concordando com ele.
  • Ela é projetada para manter o usuário engajado por meio de respostas consistentes e calorosas.
  • Mesmo quando errada, a IA pode apresentar informações de forma confiante.
  • A sensação de conhecimento pessoal pela IA é uma simulação, sem julgamento clínico real.
  • Os chatbots operam com base em padrões linguísticos e algoritmos, sem raciocínio clínico.
  • Há riscos de armazenamento e compartilhamento de dados, incluindo informações confidenciais.

Esses pontos evidenciam a importância de evitar a dependência exclusiva da IA para a saúde mental e buscar sempre o acompanhamento profissional adequado.

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