O ano de 2026 começou trazendo apreensão para os criadores do município de Monteiro e da zona rural da região. As chuvas, que tradicionalmente renovam a esperança do homem do campo, caíram apenas de forma isolada em alguns pontos do território, insuficientes para mudar o cenário de estiagem que já se impõe com força.
A paisagem é marcada por vegetação seca, pastagens comprometidas e açudes com níveis críticos ou completamente sem água. Diante dessa realidade, cresce a preocupação com a alimentação do rebanho, especialmente entre os pequenos criadores, que dependem diretamente da chuva para manter a produção e a sobrevivência dos animais.
É nesse contexto de dificuldade que histórias de esforço e solidariedade se destacam. Seu Manoel Soares, criador da zona rural, tem utilizado uma carroça puxada por jumento para transportar manivas de macaxeira doadas por outros produtores. O material tem servido como complemento alimentar para o gado, numa tentativa de amenizar os efeitos da escassez e garantir o sustento dos animais enquanto a chuva não chega.
A cena resume a realidade de muitos agricultores: trabalho duro, criatividade e união para enfrentar a seca. “A gente vai se virando como pode, esperando que Deus mande a chuva”, relatam criadores que veem, ano após ano, a dependência do chamado “precioso líquido”, capaz de transformar o cenário com rapidez quando finalmente chega.
Enquanto isso, o homem do campo segue atento ao céu, mantendo a fé e a resistência, na esperança de que as próximas semanas tragam precipitações mais regulares e devolvam vida ao solo, aos açudes e às lavouras do Cariri paraibano.
PREVISÃO DE CHUVAS
O prognóstico climático da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) para o primeiro trimestre de 2026, indica que as chuvas no estado devem ocorrer de normal a abaixo da média, com alta variabilidade espacial e temporal, especialmente nas regiões do semiárido paraibano.
De acordo com o boletim, que analisa o período de janeiro a março de 2026, as áreas do Alto Sertão, Sertão, Cariri e Curimataú, que concentram historicamente os maiores volumes de chuva neste trimestre, poderão registrar precipitações irregulares, influenciadas principalmente pelas condições oceânicas e atmosféricas globais.
O relatório aponta a persistência de condições associadas ao fenômeno La Niña, com temperaturas da superfície do mar abaixo da média no Pacífico Equatorial. Embora haja tendência de enfraquecimento do fenômeno ao longo do verão no Hemisfério Sul, os efeitos ainda impactam a circulação atmosférica.
Previsão mês a mês
– Janeiro de 2026: o mês deve apresentar grande variabilidade, com possibilidade de chuvas localmente intensas, associadas à atuação de Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN). A tendência geral é de chuvas entre normal e abaixo da média.
– Fevereiro de 2026: marca o início da atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de chuvas no semiárido. Ainda assim, a previsão indica irregularidade na distribuição das chuvas.
– Março de 2026: considerado climatologicamente o mês mais chuvoso para o interior do estado, deverá registrar chuvas próximas da normalidade, porém com elevada variação no tempo e no espaço.