Estudo associa arroz e feijão a dieta mais saudável, barata e sustentável

Pesquisa com mais de 46 mil brasileiros identificou 44,5% menos inadequações nutricionais entre os maiores consumidores da dupla. Especialistas comentam que o diferencial da combinação está na complementaridade nutricional do arroz com o feijão

Uma das combinações mais tradicionais da mesa brasileira pode ser também uma das mais vantajosas para a saúde, o bolso e o meio ambiente. Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP), publicado na revista científica Public Health Nutrition, identificou que pessoas com maior consumo de arroz e feijão apresentam melhor qualidade nutricional da dieta, além de menor custo alimentar e impacto ambiental.

A pesquisa analisou 46.164 brasileiros de todas as regiões do país. Entre os participantes que mais ingeriram a dupla, foram observados 44,5% menos inadequações nutricionais — indicador que considera tanto a deficiência de fibras, vitaminas e minerais quanto o excesso de açúcar, sódio e gorduras. O grupo também apresentou refeições com valores 38% mais baixos, além de redução da pegada de carbono em 17,6% e do uso de água em 21% na produção dos alimentos.

Os resultados apontam ainda que esse padrão alimentar está associado à diminuição da presença de ultraprocessados. Para a nutricionista do Hospital Moinhos de Vento, Raissa Gorczevski, o diferencial da combinação está na complementaridade nutricional.

“O arroz fornece principalmente carboidratos, enquanto o feijão contribui com fibras, vitaminas do complexo B e minerais como ferro, magnésio e potássio. Juntos, eles também se complementam como fonte de proteína vegetal, já que os aminoácidos presentes em menor quantidade em um produto são compensados pelo outro”, explica.

Segundo ela, a combinação também favorece a saciedade. “As fibras do feijão retardam a digestão e as proteínas prolongam a sensação de estômago cheio. Isso torna a absorção dos carboidratos mais gradual, ajudando no controle da fome entre as refeições”, afirma.

Ultraprocessados, riscos à saúde e prevenção de doenças
O avanço dos alimentos ultraprocessados é apontado por especialistas como um dos principais desafios da saúde pública. Segundo o nutrólogo Diego Nunes, do Hospital Moinhos de Vento, esses produtos têm alta densidade calórica e baixo valor nutricional quando comparados a comidas in natura ou minimamente processadas. “Além disso, são formulados para estimular o consumo frequente”, ressalta.

O especialista destaca que o impacto desse estilo de alimentação vai além do ganho de peso, estando vinculado ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares, bem como maior mortalidade por essas causas. Segundo ele, a literatura científica também aponta efeito protetor de padrões alimentares baseados em produtos tradicionais da culinária brasileira.

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